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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

HISTORIETAS

             A BÚSSOLA DAS SOMBRAS-2

 Por alguns centenas de anos, eu escolhi viver minha vida protegendo as gerações do meu clã, já que eu nunca tive nenhuma pista do porque sou imortal.

 Só resolvi não dar importância, ao fato de que eu não envelheço e morro, nunca fui traída por nenhuma dessas gerações, mantive todos sob minha asa bem alimentados, vestidos e com tudo necessário para uma boa sobrevivência.

 As gerações foram se extinguindo devido as suas próprias decisões, tais como, não querer se casar e ter filhos, ou ter uma opção sexual diferente das tradicionais, ser infértil, morrer precoce por alguma tolice cometida, enfim inúmeras situações nas quais eu não tinha o direito de decidir por eles.

 Até que a ultima geração do meu clã morreu de velhice, devido a falta de fertilidade não puderam gerar herdeiros, por tanto, ninguém havia sobrado pra colocar aos meus cuidados.

 Sem ninguém pra cuidar, fiquei sozinha vivendo dia após dia sem objetivos concretos, como você pode deduzir eu tenho vários diplomas de diversas áreas, posso fazer qualquer trabalho, pois tive tempo de sobra para aprender, só preciso de dinheiro suficiente para pagar o necessário, acredite nem se eu quisesse eu morreria de fome, já tentei, eu como porque gosto do sabor da comida.

 Já tentei cortar pulsos e garganta, eu se quer sangro, pular de um penhasco, diversos venenos, me afogar, me queimar viva, ser esmagada por uma pedra, tiro na cabeça, triturador de alimentos, eu não cheguei a lugar algum. E tudo isso porque cansei de ver pessoas que conheci envelhecerem ou morrerem, e eu fui ficando.

 Você vai dizer que conseguiria levar tudo isso de boa, porque não precisaria se preocupar com nada, que seria bilionária, que seria dona ou dono do mundo e viveria feliz pela eternidade. Mas na prática isso não funciona, eventualmente você vai gostar de algumas pessoas, vai amar algumas pessoas, vai querer protege-las, vai se apaixonar e vai querer ter filhos, vai descobrir que seus filhos não nascem imortais igual a você, e que eventualmente eles vão envelhecer e morrer como todos em sua vida. Então qual o sentido de se envolver com alguém mesmo que seja por amizade, muitas vezes pensamos que vamos ser amigos daquela pessoa até ela envelhecer e morrer, mas ai você lembra que ela não sabe seu segredo, e que também não pode contar porque o ser humano em si, não é confiável. Vai ter que sair da vida da pessoa antes que ela perceba que você não envelhece e tem eternamente vinte anos, não vai poder trabalhar no mesmo local por vários anos, e não vai poder trabalhar em um local que chame a atenção pra si mesmo, para que não seja perseguida pelas pessoas pelo resto da eternidade, para que possa dormir à noite e sair de dia sem o medo que isso causa.

 Ou seja, para que possa viver em paz, tem que se isolar de pessoas, e nunca ser notada, o que é quase impossível, já que sempre existiu algumas pessoas que gostam de observar outras, e inevitavelmente vão te observar. Dai você vai ter que mudar de novo, de novo e de novo.

 E é pelo fato de que deve haver uma maneira de eu morrer. Há mil anos atras conheci uma dessas criaturas que sempre cruzam meu caminho e ela me sussurrou, que a verdade pode ser iluminada pela bússola das sombras, já que ela guia o caminho para quem o procura.

 Devo encontra-la então.


                    ...continua.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

HISTORIETAS

                A  BÚSSOLA DAS SOMBRAS.

 Eu nasci em uma família de ciganos, e desde pequena ouvia historias de coisas que qualquer um duvidaria.

 Mas uma das minhas preferidas é sobre a Bússola das sombras.

 Reza a lenda que a bússola foi criada por um Deus antigo, para guiar todas as criaturas que vivem nas sombras até seu destino de paz. Uma vez que uma criatura da sombra segue a bússola com toda confiança, ela encontra finalmente a paz que precisa e se torna um ser de luz.

 Mas também é possível usar a mesma para controlar todas as criaturas das sombras e desencadear o inferno na terra.

 Milhares de anos se passaram, sem que alguém conseguisse encontrá-la.

 Eu mesma venho procurando há mil anos, sem sucesso algum, e me deparei com inúmeras criaturas que me seguiram, pois descobriram que eu também estava atrás dela.

 Isso mesmo, eu tenho mais de mil anos, muito mais, mas foi só há mil anos que resolvi encontrar a tal bússola das sombras.

 Não me lembro da minha infância, só das histórias que meu pai e minha mãe contava, éramos nômades, ou o que hoje são chamados ciganos, pessoas que não vivem em um só local.

 Mas ciganos tem muito mais que três pessoas.   Exatamente, nós começamos em três e com o tempo formamos um clã, que se soma em vinte pessoas.

 Me lembro de crescer rápido até os meus vinte anos, e depois disso nunca mais envelheci.

 Meus pais disseram que fui amaldiçoada ainda no ventre da minha mãe por um xamã, que tentou conquistar minha mãe sem sucesso. Todos do clã guardavam o segredo com suas vidas, pois levavam para o tumulo e jamais contavam a ninguém. E eu os protegia até suas velhices, e suas gerações futuras também. Obvio que com o passar do tempo eu aprendi muitas coisas, incluindo lutas, estratégias, arte, conhecimentos diversos. Só que com o passar do tempo o clã foi diminuindo, todos morreram  incluindo meus pais, e a mil anos terminei sozinha, as ultimas linhagens que eu protegi por anos foi extinta.

 Já que nunca tive nenhuma pista de como me tornei imortal, até mesmo porque na época que fui atras do xamã, ele já havia morrido, por sinal assassinado por outro marido que não teve misericórdia dele como meu pai.

 Resolvi procurar pela bússola, afinal essas criaturas sempre cruzam meu caminho, e quem sabe ela me ajuda a entender algo sobre minha imortalidade.


                             ...continua.   

 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

HISTORIETAS

              O ATAQUE SURPRESA

 Quando era criança, em uma temporada de chuvas.

 Nós passávamos a maior parte do tempo dentro de casa, jogando jogos, assistindo tv, cozinhando guloseimas e etc.

 Detalhe, não existia internet ok.

 Afinal nós morávamos em uma casa que era do município, mas precisamente do asilo da minha cidade.

 O asilo comprava casas e alugava para pessoas com condições financeiras baixas, o que era nosso caso. E assim eles usavam o dinheiro pra manter o asilo.

 A casa tinha sala, cozinha, dois quartos e banheiro. Era até grande, ou pelo menos parecia para nós crianças.

 Nessa noite em especifico, estava chovendo, brincamos, assistimos, fizemos tudo como de costume e fomos dormir.

 Foi ai então que tudo começou.

 Primeiro acordamos no escuro, chovia muito forte, relampeava e trovejava.

 Cada vez que trovejava era um susto, nos juntamos todas em uma das camas, um barulho veio de fora da porta.

 Resolvemos ir olhar, era na cozinha.

 Paramos na porta com uma lanterninha que uma de nós tinha, detalhe que a lanterna era de dínamo 😁.

 Se houvesse um ladrão, certamente escutaria o barulho da lanterna, afinal crianças não pensam muito nas coisas.

 De repente um barulho veio da sala, e um do banheiro.

 Pensamos, estamos cercadas, e do nada enquanto olhávamos em várias direções, uma perereca ou rã gigante pula na parede da cozinha, pelo menos pra nós crianças ela parecia gigante.

 Corremos para o quarto da minha mãe, e como sempre ela roncava que parecia dois crocodilos brigando.

 Subimos na cama dela, chamando freneticamente.

 Ela acorda perguntando o que aconteceu.

 Dissemos que bichos gigantes invadiram a casa.

 Ela levanta e pega uma lanterna de pilhas, e vai ver o que é.

 Volta e diz: -São apenas pererecas voltem a dormir, amanhã dou um jeito.

 Todas dissemos não. E então passamos o resto da noite cochilando com um olho aberto e outro fechado. E escutando dois crocodilos brigarem.

 

                                              fim.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

HISTORIETAS

                  OUVI FALAR- 2F

 No dia seguinte, fui a benzedeira novamente.

 Ela me olhou estranho, e disse: -Vamos tentar.

 Eu perguntei a ela: -O que você quis dizer ontem, quando falou que já estamos ligados, conectados, misturados, eu sei lá.

 Ninguém te explicou? Disse ela.

 Explicar o que? Eu disse.

 Algumas pessoas desenvolvem isso quando chegam em uma certa idade. Disse ela sorrindo de orelha à orelha.

 É um sexto sentido, um escudo, um ser que nos é designado, sua função é nos alertar e proteger de tudo que é perigoso para nós mesmos. Quando desperto, ele tende a ser muito proativo, nos deixando confusos, e uma vez removido, nunca mais incomodará o hospedeiro. Mas se o hospedeiro o aceitar e aprender a lidar com ele, pode descobrir que o mundo em si é bem complexo e grandioso, vai além do que todos veem normalmente. Ou seja os famosos ( videntes, xamãs, curandeiros e etc...).

 Eu posso tirá-lo ou ensiná-la à usar, a decisão é sua. Mas como estão muito conectados é melhor não tirar, pois haverá consequências . O que vai fazer?

Já fazem três anos que estou em coma no hospital, escuto tudo que me é dito, mas não consigo acordar, e me pergunto porque fui dar ouvidos aquela mulher. E agora?


                                                           fim?.


segunda-feira, 13 de maio de 2024

HISTORIETAS

        OUVI FALAR

 Há dias que meu ouvido está estranho.

 Parece estar entupido, mas de alguma maneira, consigo ouvir como um eco, o que me faz sentir dor bem lá no fundo.

 A principio pensei que fosse só uma coisa passageira, mas isso dura já faz dias.

 Me sinto estranha, como se meu corpo pendesse para o lado quando ando.

 Como se algo pesado puxasse meu ouvido para o lado, levando minha cabeça junto.

 O eco que faz quando ouço algo ou alguém dói, e quando viro meu pescoço para o lado, o musculo puxa tudo até o ouvido.

 O estranho é quando estou andando, tenho a impressão de não estar sozinha, parece que há alguém falando bem ao pé do ouvido, me viro e não há nada nem ninguém.

 Ao dormir, as vezes acordo assustada como se algo ou alguém gritasse em meu ouvido, porque uma dor aguda invade meu cérebro, olho em volta e estou só.

 Fui ao médico, ele disse não ser nada. Mas eu sinto que algo está errado, melhor, eu sei que algo está errado.

 É como se o tempo inteiro alguém tapasse meu ouvido com um dedo, tente você, tape seu ouvido com a ponta do dedo, é essa sensação da qual estou falando.

 Preciso saber, o que está acontecendo.

 Já que o médico diz não ser nada, vou a uma benzedeira na qual fiquei sabendo, para ver se ela resolve isso.

 Chegando lá ela ficou me olhando de um jeito estranho e disse:

-Eu posso tentar tirar isso de você, mas não sei se vai funcionar, vocês dois já se misturaram e tornaram-se um só. Volte amanhã.

 Como assim se misturaram? Ela já tinha se retirado e não me explicou nada. Espero que amanhã chegue logo, pois quero uma explicação.


                  ...



                    

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

HISTORIETAS

      NÃO ACREDITO.

 Me mudei para uma cidadezinha chamada: SAI DAQUI. Isso mesmo ela se chama SAI DAQUI.

 Dizem que o nome antes era BOM LUGAR. Mas foi mudado há alguns anos devido à acontecimentos que levaram todos da cidade dizerem as pessoas como eu, ou turistas que lá chegam, exatamente isso: sai daqui.

 Logo no começo que mudei, eu dizia bom dia para as pessoas, e elas respondiam: sai daqui.

 E isso se prolongou por uma semana, até que um dia, eu estava na praça central da cidade, quando o prefeito em pessoa, atravessou a praça em minha direção, parou e disse:

- Olá, eu sou o prefeito Mauro. Tenho um aviso para te dar, se você deseja morar aqui, a cachoeira lá para o meio da mata é proibida de ir. Estou lhe avisando, e enquanto você cumprir isso, ficará tudo bem. Fora isso você é muito bem vinda à ficar. Promete ficar longe de lá. É PERIGOSO.

  Olhando em volta, percebo que exatamente todas as pessoas estavam paradas olhando nós dois. Todas sem exceção.

 Olho para ele e digo: - Entendido, eu prometo.

 Instantaneamente todos voltam a andar, e o prefeito se vira e volta de onde veio.

 Surpreendentemente no outro dia, todos estavam me dizendo bom dia, e pararam de dizer sai daqui.

 Curiosa que sou, queria saber o porque era perigoso na cachoeira, esperei anoitecer e sai com uma mochila e algumas coisas dentro, comida, lanterna, faca e etc...

 Fui na direção da cachoeira, o plano era voltar no outro dia à noite, sem que ninguém percebesse.

 Chegando lá, estava muito escuro, e a lanterna não iluminava uma área muito grande, então decidi arranjar um local, e esperar amanhecer.

 Adormeci e quando acordei e abri meus olhos, eu avistei uma paisagem surreal. Havia flores nas laterais, e no meio um caminho de pedras, que dava bem na frente da cachoeira, a cachoeira era lindíssima, a água era cristalina.

 Fui andando boquiaberta, e resolvi pegar o caminho das pedras até a cachoeira.

 Parei em frente, e fiquei contemplando aquela água.

 Então eu disse bem alto, no auge da euforia diante de tal visão deslumbrante, na verdade saiu mais como um grito.

- NÃO ACREDITOOOOOOOOOOOOO!

 Houve-se um barulho lá de dentro da cachoeira, dois tentáculos me pegam, puxando para dentro, não deu tempo nem de piscar.

 E foi assim que morri 😐😔.


                FIM.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

HISTORIETAS

           OS VAPOROSOS- P10 F

 Chego em casa e logo que entro, olho para meu filho e digo:- Preciso de algo, mas só vou te contar depois, e não importa o que escute lá fora ou veja, não saia, eles não podem saber que você os vê ok.

 Sem entender meu filho acena com a cabeça e diz:- O que você precisa?.

 Preciso do seu sangue, só um pouco, talvez em uma seringa pequena, não, o fundinho de uma tampa serve, mas espere até eu dar o sinal.

 Ele se levanta e pega uma faca, se posiciona na janela perto da porta.

 Eu me preparo pra sair e abro a porta, viro pra ele acenando com a cabeça pra que ele faça o que pedi, ando na sua direção, deixando o caminho livre para uma das criaturas que estava à minha porta entrar.

 Meu filho olha pra mim, enquanto me viro fechando a porta logo após a criatura entrar, então faço um gesto pra ele e ele me mostra a mão cortada saindo sangue, eu olho para um facão, no qual sempre deixo atrás da porta de entrada, pego o facão e digo:- Não faça nada, isso é uma ordem, você me entendeu.

 Ele concorda com a cabeça, então passo minha mão na mão dele, sujando-a com o sangue dele e pulo na criatura passando o sangue sobre suas costas.

 A criatura cai ao chão se debatendo, exatamente como foi comigo, o plano era que se não funcionasse, eu usaria meu sangue depois, enquanto ela se debate e fica sólida, pego o facão e corto sua cabeça fora, virando para meu filho que está com a mesma feição de surpresa que eu fiquei, sorrio e digo:- Vou explicar tudo à você.

 Depois de tudo explicado, nós juramos exterminar uma por uma, até que a cidade esteja livre dessas criaturas.

 Sem medo algum, agora é nossa vez. E olha que vamos ter trabalho, afinal há muitas delas aqui.


                                     FIM.